sábado, 11 de janeiro de 2014

Teria "chego" ou teria "chegado"?

Muito se comenta sobre o excessivo (e muitas vezes incorreto) uso do gerúndio no atendimento telefônico, mas uma nova "mania" crescente no atendimento ao consumidor em geral, além do rádio e da televisão, me chamou a atenção. 

Existem verbos que possuem duas formas de particípio, sendo uma a forma regular (terminada em "ado" / "ido") e outra mais curta, chamada de irregular (por exemplo, para o verbo "salvar" a forma regular do particípio é "salvado" enquanto a forma irregular é "salvo"). Esses verbos são chamados de verbos abundantes.

A forma regular normalmente é utilizada na voz ativa com um verbo auxiliar (ter ou haver). Exemplo: "O sistema tinha salvado o arquivo automaticamente". 

Já a forma irregular é utilizada na voz passiva com um verbo auxiliar (ser ou estar). Exemplo: "O arquivo foi salvo automaticamente pelo sistema".

De acordo com alguns professores, apesar da regra ainda existir e ser válida, a norma culta aceita a forma irregular também na voz ativa (com os verbos auxiliares ter ou haver). Exemplo: "O sistema tinha salvo o arquivo automaticamente". 

Em função disso, existe hoje uma certa preferência pelo uso da forma irregular do particípio, mas o problema é que nem todos os verbos são abundantes e muita gente não sabe disso...

É muito comum em nosso cotidiano e até mesmo na televisão, ouvir as pessoas dizendo "Ele já tinha chego em casa", "Eu havia trago o livro", "Ele teria compro uma casa"... 

Os verbos "comprar", "trazer" e "chegar", entre outros, não são verbos abundantes e não apresentam mais de uma forma de particípio (nos casos, apenas a forma regular: "trazido", "chegado" e "comprado"). Portanto, as formas "chego" "trago" e "compro" não são aceitas como particípio para os verbos "chegar", "trazer" e "comprar", respectivamente.

Muitas vezes as pessoas são induzidas ao erro por analogia, que nem sempre é recomendável quando se trata de gramática. Por exemplo: "O carro foi pago", logo "O livro foi trago". Muitas pessoas falam, outras ouvem, assimilam e repetem.

Veja nas tabelas abaixo alguns exemplos de verbos que não são abundantes e de outros que são abundantes. Na dúvida, sempre siga a regra.








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